A Revista NAVIGATOR é dirigida a professores, pesquisadores, alunos de história e oficiais de Marinha, com o propósito de promover e incentivar o debate e a pesquisa sobre temas de História Marítima
no meio acadêmico.




A presente edição da Revista Navigator encerra um sentido especial, pois nela estão reunidas as comunicações apresentadas no Simpósio Comemorativo do Bicentenário do Almirante Tamandaré, que foi realizado no Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, entre 26 e 27 de setembro deste ano. O encontro, que contou com ampla participação do público acadêmico, foi um dos eventos que celebraram os 200 anos de nascimento do Patrono da Marinha do Brasil, Almirante Joaquim Marques Lisboa, o Marquês de Tamandaré. Portanto, este 26o número da Navigator torna-se mais um tributo ao “velho marinheiro”.

O primeiro dos sete artigos publicados, de autoria da Comandante Edina Laura C. Nogueira da Gama, intitula-se Arquivo Tamandaré: o espelho de uma carreira, e apresenta o fundo documental oriundo do acervo particular do Patrono da Marinha. A autora, historiadora que participou da catalogação inicial do Arquivo do Almirante Tamandaré, detém-se na análise do documento intitulado Memória explicativa de certos fatos das campanhas contra o Estado Oriental do Uruguai e contra a República do Paraguai durante o comando do Almirante Visconde de Tamandaré, em que o Capitão-Tenente Euzébio José Antunes, secretário e ajudante-de-ordens do Almirante Tamandaré entre 1864 e 1866, narra a atuação da Marinha na República uruguaia e no início do conflito com o Paraguai.

Intitulado O Almirante Tamandaré na Campanha Oriental, o ensaio apresentado pelo Almirante Armando de Senna Bittencourt, Diretor do Patrimônio Histórico e Cultural da Marinha e membro dos Institutos Histórico e Geográfico Brasileiro e de Geografia e História Militar do Brasil, evidencia a atuação do então Barão de Tamandaré no envolvimento político-militar do Império brasileiro na região do Rio da Prata no período que antecedeu o início das hostilidades com o Paraguai. Merecem destaque neste texto as percepções – quase sempre conflitantes sobre a situação política no Uruguai e a capacidade bélica paraguaia – do chefe militar brasileiro na região, Tamandaré, e dos representantes consulares enviados para defender os interesses brasileiros junto ao governo uruguaio.

No artigo Um militar no Império, o Professor Marcos Guimarães Sanches, doutor em História Social e professor de História do Brasil das Universidades Federal do Estado do Rio de Janeiro e Gama Filho, confronta a trajetória profissional de Tamandaré com as concepções trazidas pela historiografia sobre as instituições militares e os próprios militares do período monárquico, sobretudo dos que ocupavam o topo da cadeia hierárquica.

O Coronel Paulo Dartanham Marques de Amorim, membro do Instituto de Geografia e História Militar do Brasil e da Sociedade Brasileira de Cartografia, em Tamandaré, Caxias e Osório, destaca os valores morais comuns aos três chefes militares.

Em artigo intitulado O despertar, o Professor Guilherme de Andrea Frota, membro dos Institutos Histórico e Geográfico Brasileiro e de Geografia e História Militar do Brasil, descreve como, ainda muito jovem, Joaquim Marques Lisboa voluntariou-se para o serviço na Armada em plena Guerra da Independência, posteriormente participando dos combates contra a Confederação do Equador e da Guerra Cisplatina. Narrando a infância e as primeiras influências do jovem “Lisboinha”, o autor revela o despertar de uma vocação.

No artigo O Almirante Tamandaré através da Revista Marítima Brasileira, o Professor Paulo André Leira Parente, doutor em História Social e professor das Universidades Gama Filho e Federal do Estado do Rio de Janeiro, analisa o processo de construção da memória do Almirante Tamandaré através da Revista Marítima Brasileira, entre 1897 e 1950, demonstrando, em três fases distintas, o combate em prol de sua memória como Patrono da Marinha.

Baseado nos conceitos formulados pelo historiador Sidney Hook, o Comandante Francisco Eduardo Alves de Almeida, no artigo A formação do herói Tamandaré na Marinha do Brasil, analisa a construção do arquétipo do herói em torno da biografia de Joaquim Marques Lisboa e infere quais fatores constitutivos de sua trajetória influenciaram na decisão institucional de elevá-lo a patrono da Força Naval.
As duas resenhas e a seção Documento também aludem ao caráter comemorativo desta edição de Navigator. A Comandante Mônica Hartz Oliveira Moitrel apresenta a resenha sobre a Edição Especial da Revista Marítima Brasileira, em seu número referente ao quarto trimestre deste ano, também comemorativo ao Bicentenário de Nascimento do Patrono da Marinha. Em 16 artigos escritos por eminentes colaboradores daquela sesquicentenária publicação, a vida e a personalidade do Almirante Tamandaré são analisadas sob diferentes pontos de vista. O Catálogo do Arquivo do Almirante Tamandaré é o objeto de resenha produzida pelo Tenente Carlos André Lopes da Silva, que destaca ampla gama de fontes tornadas acessíveis ao pesquisador com a publicação deste instrumento de pesquisa. O documento do acervo do Serviço de Documentação da Marinha selecionado para fechar a revista vem do próprio Arquivo do Almirante Tamandaré, é uma carta escrita de próprio punho pelo Imperador no exílio, Dom Pedro d’Alcantara, destinada a Tamandaré. Singela e afetuosa, a breve mensagem datada de agosto de 1891 corrobora o vínculo emocional de Tamandaré com o Monarca, tão decantado nas biografias do primeiro.

Dentre as 26 edições de Navigator, a partir de junho de 1970, somente um texto teve como objeto o homem que o meio naval reputa como seu maior herói e que a instituição escolheu como seu Patrono. Em 1973, para a edição de número 7, o então Capitão-de-Mar-e-Guerra Max Justo Guedes escreveu o artigo Sesquicentenário da entrada de Tamandaré para o serviço naval. Após 24 anos de ausência, Tamandaré torna às páginas de Navigator, analisado sob sete diferentes perspectivas.

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